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sábado, setembro 27, 2014

Alta literatura e literatura de entretenimento podem andar juntas?



Rudimar Baroncello estreando no blog com um texto tudo a ver com o Busca de informações!

"Para verdadeiros leitores, porque carrega sentimentos que só um leitor habituado pode entender!" - Gabryel Fellipe



   Já faz um tempo esse assunto vem me incomodando... Será que o que é considerado alta literatura pode, digamos, "andar junto" com a literatura de entretenimento? Para responder isso devemos primeiro divagar discorrer sobre o que seria essa "alta literatura". Fiz algumas pesquisas e cheguei a conclusão que a alta literatura são aqueles livros com uma carga reflexiva maior, aqueles dos quais podemos extrair mais coisas, o sistema educacional limita aos clássicos obrigatórios da escola... não que não se encaixem nesse quesito, isso, é claro, se desconsiderarmos Amor de Perdição que foi o primeiro (e único) livro obrigatório que li na escola e só me fez pensar: "Que coisa ridícula" (se tem algum fã do livro lendo isso por favor, não me odeie)... Mas aí chegamos a outro ponto... como um livro pode ser considerado alta literatura por quem não absorveu nada dele? É a velha e conhecida conversa sobre diferentes interpretações...

   Então chegamos a conclusão de que alta literatura é algo diferente para cada um... claro que essa é apenas a minha opinião, gosto de interpretar as informações que recebo, importante dizer também que, mesmo que você tenha achado o livro incrivelmente chato, non sense e enfadonho, se ele acrescentou algo na sua vida, e é considerado de alta literatura você não têm o mínimo direito de discordar.
   Então chegamos a literatura de entretenimento...
literatura de entretenimento (considerando que estamos em um blog literário) dispensa apresentações, são os livros mais "consumidos" da atualidade, os atuais best sellers...

  Todos temos nossos favoritos, que vão de John Green e Nicholas Sparks a Stephen King e Ken Follet (só pra deixar claro, ainda não li nada do Ken Follet, mas tenho uma teoria que diz que se um cara escreve livros gigantes e tem uma legião de fãs só pode ser bom... e sei dos temas abordados por ele então...). Agora porque esses livros são considerados literatura de entretenimento, isso é óbvio: eles entretém, mas porque não podem ser considerados alta literatura? Stephen King me fez refletir sobre sonhos, sobre a brevidade da vida, sobre a impossibilidade de mudar o que passou e aceitar que a vida nem sempre segue o rumo que queremos, e também que temos um objetivo a cumprir, mesmo que não saibamos que objetivo é esse, devemos usar nossas habilidades para tornar o mundo um lugar melhor, para nós e para os outros... e tudo isso ele me mostrou apenas no livro A Zona Morta.

   E não foi apenas ele, vários autores contemporâneos me fizeram refletir mais do que alguns clássicos, você pode pensar que minha inteligência não me permitiu captar o que o(a) autor(a) do clássico quis passar, gosto de pensar que não é esse o caso (óbvio que gosto), tenho meus clássicos favoritos, dos quais vou falar mais pra frente agora voltemos aos autores atuais...
   Lois Lowry me mostrou o quanto o equilíbrio é necessário, que não existe luz sem escuro, bem sem mal nem felicidade sem tristeza. Neil Gaiman me mostrou que devemos manter nossa criança interna viva, que apesar de não viver no passado (nem podemos) já vivemos nele, ele só existe porque vivemos nele... e como li ou ouvi certa vez "relembrar é viver" a própria Bíblia diz, em Lamentações 3;21 "Quero trazer à memória aquilo que me traz esperança". M. L. Stedman me mostrou o poder das escolhas (junto com a Veronica Roth), a profundidade dos traumas, além de me fazer pensar em ética e até que ponto é aceitável lutar pelo que se deseja. Distopia é um dos meus estilos literários favoritos, elas sempre trazem uma crítica à sociedade atual como fundamento da história, e raras vezes nos dão mastigados os pontos de reflexão. Meu clássico favorito é O Retrato de Dorian Gray, ele mostra, entre muitas outras coisas que tudo tem um preço, que cedo ou tarde teremos que arcar com as consequências de nossos atos.

  Então, voltando a questão principal: Alta literatura pode andar (e por andar quero dizer coexistir "pacificamente") com a literatura de entretenimento, a minha resposta é sim, considerando que muita literatura de entretenimento pode também ser considerada alta literatura, seja ela biografias (que muita gente não gosta mais que muito me interessam), ou obras de ficção. A uns meses a revista Veja fez um especial sobre literatura (especial de 10 páginas pff~.) onde usou a seguinte frase: "A ciência comprova que a arte da ficção não é supérflua: está, ao contrário, profundamente arraigada na natureza humana, e é necessária a ela."

   Vou um pouco além e dizer que os quadrinhos também podem ser considerados alta literatura, também nos fazem refletir e trazem grandes lições para a vida e críticas a sociedade, um belo exemplo disso é o clássico de Alan Moore V de Vingança, uma poderosa crítica ao governo opressor, ao desrespeito dos direitos do povo e um grito para que o mesmo reconheça de uma vez todo o poder que detém, graças a essa HQ a máscara de Guy Fawkes  é, até hoje, um símbolo de desfio ao governo e luta pelos direitos da população (já era um símbolo antes, mas foi perpetrado no mundo por causa da HQ).

  Com isso chegamos a conclusão que alta literatura é muito mais do que os clássicos com linguagem difícil, que são ótimos representantes do assunto, mas toda obra da qual podemos tirar algo que nos aumente a cultura e o conhecimento, além de nos permitir, incentivar e requerer que interpretemos a mensagem em suas entrelinhas, afinal, quem gosta de tudo mastigado é filhote de pássaro.
  Pra terminar vou deixar um pequeno texto escrito por Mike Carrey, o roteirista de O Inescrito uma Hq publicada pela Vertigo que em meio a muita fantasia mostra que fantasioso mesmo é a certeza que recebemos sempre a informação correta da mídia, nos incentiva a questionar a buscar a real verdade nos fatos que nos são passados.
Realidade versus ficção. Você pode achar que é difícil distinguir uma da outra. Realidade - nossa referência imutável. Os filósofos discutem sobre seu significado, mas confiamos no nosso bom senso na maior parte do tempo. Não costumamos misturar nossos sonhos e desejos com as coisas do dia a dia ou da vida real, a não ser que estejamos doentes. 
E então existe a ficção. Histórias. Tudo que não faz parte de nossa referência imutável. Os mundos de "o que aconteceria se" e "faz de conta" que existem lado a lado com o real, para fins de comparação, escapismo, para experimentar uma ideia ou qualquer outra coisa. Sabemos que a ficção tem suas utilidades, e sabemos que não é real. Fim da história, por assim dizer. 
Mas trabalhar em O Inescrito nos tornou mais conscientes de que mesmo essas fronteiras não são tão nítidas assim. Artigos de jornais supostamente são factuais, informando fragmentos de realidade, geralmente recentes, com fatos, informações e detalhes circunstanciais. 
  Você pode ler o resto na revista mensal da Vertigo número 38 ou 39 (não lembro direito) eu só queria deixar os dois primeiros parágrafos (eu sei que coloquei o terceiro também...) é um texto que gosto de ler sempre que termino algo muito fantasioso, ou muito pouco, quando é fácil confundir com a realidade...

  E é isso meu povo, espero que tenham gostado da minha primeiro postagem por aqui... e por favor não usem esse texto como justificativa para dizer que Anastasia Stell é uma metáfora da liberdade e poder de sei lá o que da mulher moderna... todo mundo sabe que aquilo é pornografia pura e simples u.u 

3 comentários:

  1. Oiii,

    Gostei do teu primeiro post. Gostei bastante do texto que vc escolheu. Espero te ver mais vezes por aqui!!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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    Respostas
    1. Obrigado Ana... fica ligada que logo eu volto ;)

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  2. Cada livro carrega algo que foi feito especialmente para quem o leu. Com relação ao texto, acredito que o que te dá prazer e paixão por te presentear com conhecimento, é a sua Alta-literatura!
    As partes que mais gostei foi a descrição dos ensinamentos que te foram absorvidos nos livros que foram citados, isso realmente causou intensidade.
    Abraços, Rudi!
    (Sou daqui mesmo RsRs)

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____________________________________________________________________El Costa

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