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sábado, outubro 13, 2012

Agora, sou uma flecha!


Gabryel Fellipe


Meus olhos enxergam alguma coisa ao longe. Tento fecha-los, mas não consigo. Percebo então que aquela coisa ali, pouco distante, é uma flecha festejando por saber que eu sou o alvo, o alvo que pra ela, será fácil de atingir.
Eu hesito em correr, mas meus pés estão adormecidos, minhas mãos não se levantam e meus braços não conseguem se mover. O que me dá o direito e a capacidade de movimento parece estar contra mim. Minha boca não se abre e minha voz não sai. Não consigo pedir ajuda e percebo não ter o direito de ter as últimas palavras antes do triste fim. Não sinto o calor e também não sinto o frio, não sinto nada, só o medo. A única coisa que consigo mover são os meus pensamentos, mas meu cérebro perdeu a autoridade porque o medo o dominou.
A Flecha sai do arco, vem até mim, ela corre, ela para, ela zomba e continua a sua jornada. Não a nada para que eu faça, sei que é o fim.
Já o medo me abraça, me prende, segura minhas mãos, meus braços e minhas pernas, força minhas pálpebras a não se fecharem, mas não me diz nada, ele apenas me deixa livre com meus pensamentos.
O medo então abre caminho para a flecha, mas, antes de deixa-la sozinha com seu objetivo, ouço-os conversar. Ele diz a ela que os pensamentos são a única coisa que não poderá tocar e, respeitando a ordem, ela segue em direção ao meu coração.
 Não senti nada e, assim como a coragem, o medo também se foi.
Posso agora me movimentar, posso correr, posso pular. Meus pensamentos me salvaram e todo aquele acontecimento não passa de frívolas lembranças. Como aquela flecha, sigo caminhando sem sentimento nesse lugar onde eu posso ser o que quiser. Não existo mais, apenas vivo. Apenas vivo como uma flecha. Agora, sou uma flecha!
 
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